Em França!

27/7

Saída, pelas 6h15 em direcção a França. Antes foi necessário trazer todo o material do 1º andar do hotel para a rua, e montar as “peças” todas nos respectivos sítios… Encaixar o atrelado na bicicleta, colocar o saco do atrelado e apertá-lo, colocar e fixar os alforges laterais, montar a máquina fotográfica e o gps, …enfim, um canseira!! 🙂

E para não variar, mais chuva!!!! Caía uma morrinha quando saí, que a pouco e pouco foi ganhando alguma consistência e que me acompanhou quase até França. Entrei em França pelas 9h15 depois de percorridos mais de 50 km de percurso. Mesmo junto à fronteira parei numa área de serviço e desafiei o funcionário:

– Como queres que fale contigo em Inglês ou Francês?

Resposta pronta,(com alguma indignação na voz):

– Inglês, que eu não falo Francês!!!!

Esta é uma “guerra” antiga ente os Flamengos e os Valões, os primeiros representando a ala “holandesa” dos belgas, e a segunda a ala francófona. Nem mesmo junto à fronteira de França, os Flamengos admitem sequer falar francês!

Um pouco depois passo numa pastelaria/padaria com bom aspecto – hora de reforço alimentar! Sai um sumo e um croissant espectacular, e a proprietária, bonita e simpática, conduz no dia a dia uma MV AGUSTA F4. Para os mais distraídos é uma bela moto italiana, que os apaixonados do motociclismo sempre adoraram, e que é quase de competição!!!

Claro, a conversa passsou das viagens para as motos e das motos para as viagens, e estou arrependido de não ter ficado por ali mais um bocadinho, hehehe! 😉  A “mocinha” gabou o conforto e a estabilidade da BMW GS 1.2. (cá da casa), mas não podia ter uma pois era demasiado alta, pesada, e dificil de manobrar em cidade! Estava com vontade de vir a Portugal, de moto, claro, e estivemos um pouco a conversar sobre o nosso país e quais os pontos de interesse, em função das motivações e gostos pessoais desta bonita belga, a última cidadã deste país com quem falei antes de entrar em França, trezentos metros mais adiante.

Sempre animam as viagens estes pequenos contactos! Fiquei com melhor disposição de alma e tudo, lol! 🙂 É engraçada a facilidade com que dois estranhos que vivem em  locais diferentes, com culturas distintas podem encontrar afinidades que permitem manter uma conversa animada e descontraída!

Bem, adiante! Satisfeito por já me encontrar em França, quase sublimava a frustração de continuar a acompanhar-me a chuva…sempre me convenci que da França para baixo tinha garantido bom tempo… A viagem fez-se sem problemas de maior, tanto mais que os belgas tem um eléctrico (aqui chamado tram) que acompanha toda a costa, de Norte a Sul, mais de 150 km! Não dá pra enganar, é só seguir a linha do eléctrico!

Numa ou outra cidade, ainda saí para a marginal e depois de esta terminar, regressava ao caminho ao longo da linha. Em França, liguei o GPS e não houve problemas de maior! 15h15 em Calais, depois de 7 horas de viagem, mais ou menos 6h30 a pedalar, para fazer 100 km!

De toda a costa belga gostei muito da cidade De Haan. Muito elegante, muito bonita, assim uma espécie de “Vilamoura” – em comparação com Oostende, onde pernoitei e fiquei um dia e pouco, que se parece mais com a Quarteira! Com menor dimensão, claro (ou pelo menos pareceu-me), mas com o mesmo estilo de prédios altos em cima da praia e por aí fora…

Enfim, não me seduziu muito a Bélgica, apesar da cerveja e do chocolate! Vamos a ver como corre em França 😀

28-7

Hoje o dia foi uma maravilha! Choveu ainda algo durante a noite, mas pelas 6 h da manhã a tenda já estava seca. Assim, foi “embalar a trouxa e zarpar”! …era do Zé Mário Branco ou do Zeca Afonso esta? Já não sei bem…

Apesar de cinzentinho, o tempo foi-se mantendo e lá pelas 11 h chegou a abrir o sol. Pelas 13h30 já tinha percorrido os 120 km entre o camping municipal de Calais (decididamente a não recomendar!! :(), e o camping de Domaine de Drancourt, próximo da cidade de Abbeville, etapa de hoje.  Este sim, um camping muito decente! Uma quinta grande com um palacete, piscina, courts de ténis, cavalos, salão de ténis de mesa, visitas guiadas às áreas de interesse na região, provas de vinhos, restaurante, enfim, diversões multiplas, para quem gostar de trazer a família para estes projectos.

O trajecto foi feito maioritariamente sobre a costa francesa, costa de Opala, muito mais mimosa do que a belga. Aldeias pequeninas, todas bem arranjadas, com casas rústicas e antigas, de pequeno porte.  Engraçadas de percorrer, bonitas, mas acho que não consigo transmitir por fotografia nada de muito marcante.

Destaque para a memória sempre presente da 2ª Guerra Mundial nesta zona. Ao longo do último troço da costa belga e de grande parte deste percurso envolvente de Calais, ainda encontrei muitas estruturas de betão, abrigos da 2ª guerra, casamatas de linha de protecção de costa, ainda com toda a estrutura bélica associada, canhões de longo alcance para barcos, anti aéreas, metralhadoras pesadas, veículos de combate, quer alemães quer das forças aliadas, identificadas como forças da “Commonwealth”.

Impressiona tambem a  dimensão e o número de campas dos vários cemitérios de guerra (com uma organização claramente militar), que transmitem uma imagem marcante do imenso número de soldados mortos nos combates ocorridos nestes territórios.

Amanhã, aproveito o Sol, que entretanto parece ter vindo para ficar, e vou explorar o património aqui das redondezas, que, segundo os locais, merece uma visita! E, com esta paragem inesperada, retomo o timing programado para o percurso! Deixo de ter dias de folga 🙂 E, em todo o caso, estarei em Paris a 30!

Abraços,

João

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2 respostas a Em França!

  1. Pedro diz:

    Acho que já te anda a faltar alguma oxigenação ao cérebro – é melhor descansares – como é que se confunde Zeca Afonso com JM Branco?
    É pena que só agora tenha lido isto – para nós, “tugas” – há no norte de França algo de muito mais significativo do que a II Guerra e tenho um amigo aí por essas bandas que te podia mostrar umas coisas mais interessantes da I Guerra. Pode ser que um dia ainda lá vamos os dois.
    Tás quase a chegar ao ponto em que passas a fazer o percurso a dois. Só o que passaste até aqui já dá um livro (não serias o primeiro a fazer um livro sobre viagens, mas tens outra capacidade de observação que o poderia tornar mais interessante). Aproveita os últimos momentos de solidão, que te darão outra perspectiva sobre a viagem a dois.
    Boas pedaladas e continua a contar o que se passa

  2. Pedro Farromba diz:

    Caro João, estou já pelos algarves e pelo que soube hoje também a chuva nos vai fazer companhia nos proximos dias. Continuo a acompanhar o relato da viagem e a comentar com a familia. O meu filho, seu homonimo, que acha stressante a vida do “carteiro Paulo” a distribuir correio de carro em Inglaterra, não imagina o que será fazer essa viagem de bicicleta e comenta “que grande maluco”. Um abraço e continue a pedalar e a escrever.

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